O 'boom' do faça-você-mesmo #Mega


Dois dias para visitar a feira. Esse é o tempo mínimo necessário para que se consiga conhecer a Mega Artesanal inteira, segundo Rita Mazzotti, diretora da WR São Paulo, organizadora do evento que acabou no último domingo, em São Paulo. "Na verdade, três dias é o ideal. Porque dá para você passar dando uma geral em tudo e depois voltar nos lugares que te interessou", afirmou.

A feira, que começou tímida, está em sua 15ª edição --só como "Mega", ela fará 10 anos no ano que vem-- e virou a maior feira de artesanato da América Latina. Desde 2005, ela passou a ser montada em uma área de 33 mil metros quadrados, no Centro de Exposições Imigrantes, em São Paulo, e chega a receber mais de 110 mil visitantes nos seus cinco dias de funcionamento.

No meio da correria e agitação da feira, Rita, fez uma pausa de dez minutinhos e bateu um papo conosco sobre arte, confeitaria e valorização do artesão. Foi bem bacana! Vale a pena a leitura!

Sr. Feltrim: Eu gostaria de um balanço entre aquela primeira feira Artesanal e esta agora, afinal são 15 edições. Quando você percebeu que a feira estava de fato crescendo?

Rita: Foi em 2005, quando fizemos a última edição no São Luís (Centro de Eventos São Luis, em São Paulo) e fomos praticamente expulsos de lá! Levamos 24 mil pessoas em um espaço de 2 mil metros quadrados! As filas iam até a av.Paulista, eram intermináveis. Tínhamos de fechar as portas, esperar alguém sair para entrar mais gente. Foi uma loucura!

Então, vímos que esse era um mercado que estava em alta, e que as pessoas estavam muito ansiosas por um evento do tipo porque ninguém fazia nada por elas. Era como se o artesanato não tivesse valor. Na época, você dava um presente feito à mão, a pessoa já te olhava com cara de "ai, que porcaria". E, hoje, nesses dez anos, você já vê uma valorização do artesão e do artesanato.

E isso se deve não só a ações como a nossa, mas ao aumento de revistas sobre o assunto, programas de TV, e ao próprio artesão, que se conscientizou que poderia ganhar dinheiro com artesanato: ele melhorou o acabamento, a qualidade das suas produções, foi em busca de técnicas, de produtos... Ou seja, aconteceram várias coisas que, com o tempo, fizeram com que mudássemos a visão que temos do artesanato.

Sr. Feltrim: Você acha que o sucesso da feira se deve também ao crescimento da ideia do "faça você mesmo"? Aliás, isso cresceu de fato?

Rita: Cresceu muito! Hoje, além do "faça você mesmo", mas também a bricolagem são as ondas do momento. Isso se deve a alguns fatores: primeiro porque a gente se conscientizou do reaproveitamento, da reutilização, do não jogar fora e, sim, transformar. Acho isso muito legal. Finalmente caiu nossa ficha acerca da necessidade da reciclagem.

E o segundo ponto é o momento em que estamos vivendo. Às vezes, o marido perdeu o emprego, o filho perdeu o emprego, mas tem de se pagar as contas da casa. Então a mulher vai em busca de como ajudar a família a aumentar ou manter a renda. E o artesanato é uma saída rápida, com um investimento barato e com retorno rápido... Porque você vende para a vizinha, para a tia, a prima, as amigas da filha. Quando vê, já montou uma clientela.

Então, o artesanato se transformou em uma grande oportunidade de fazer renda em casa.

Sr.Feltrim: Como você vê o artesanato no Brasil? Acha que estamos mais criativos?

Rita: Acho que sempre fomos criativos. Nosso artesanato é lindo porque ele é diferente. Cada um que você olha aqui na Mega Artesanal trabalha com um material diferente. Isso, fora do Brasil não se vê muito. Há países que tem a tradição de trabalhar a madeira, então produz coisas lindas com esse material. Outro, produz bordados maravilhosos. Aqui a gente faz tudo e tudo bonito. Com o nosso toque, o nosso jeito.

Nós temos uma estrutura técnica interessante. Você nem imagina juntar patchwork com scrapbook, mas tem artesã que já faz a mistura e fica muito interessante o trabalho, fica diferente. As pessoas vêm de fora do país e ficam encantadas com a nossa produção aqui.

Sr.Feltrim: Me parece que há dois "boom" no mercado: o da gastronomia e o da confeitaria. Ano passado vocês estavam com um espaço especial para confeitaria, né?

Rita: Sim. Contiuamos com esse espaço aqui de confeitaria e também temos uma feira especial para a área. Fizemos uma no ano passado em setembro e agora em 2015 optamos por fazê-la em maio. Ela acontece lá no Espaço São Luís e começou como a Mega Artesanal.

A confeitaria e e a decoração de festa estão em alta. Aquela pessoa que fazia docinho, viu que se ela decorar melhor, colocar uma forminha bonita, ela agrega valor e pode vender a um preço bacana. E isso que a feira propõe.

Sr.Feltrim: O tema deste ano da feira é "Vida em Cores". Por que a escolha?

Rita: Nós começamos o ano focado em cores já. Mas eu senti que, com tudo o que tem acontecido com o país, parece que estamos cinza. Está todo o mundo triste, falando em crise. E eu vejo o artesanato como algo muito colorido, alegre, para cima. E acho que precisamos trabalhar muita cor nesse momento, fazer com que as pessoas fiquem felizes. Então esse é o sentido da feira, trazer uma vida mais colorida, em cores.

Não perca!

Calendário das próximas feiras de artesanato:

Feira Patch & Arte São Paulo

De 22 a 24 de outubro (de segunda à sexta, das 13 às 20h)

Local: Centro de Eventos São Luis (Rua Luís Coelho, 323, São Paulo-SP)

Ingressos: R$ 14

Informações: http://www.wrsaopaulo.com.br/index.php/eventos/patch-arte-sp

Porto Alegre Artesanal

De 18 a 21 de novembro (das 13h às 20h)

Local: No Barra Shopping Sul (Av. Diário de Notícias, 300 – Porto Alegre, RS)

Ingressos: R$ 14

Informações: http://www.wrsaopaulo.com.br/index.php/eventos/artesanal-porto-alegre

Artes nas Gerais

De 19 a 22 de agosto (das 11h às 19h)

Local: Minas Centro (Rua Guajajaras, 1022 – Belo Horizonte, MG)

Ingressos: R$ 14

Informações: http://www.wrsaopaulo.com.br/index.php/eventos/artes-nas-gerais

E aí, meninas o que acharam? Não esqueçam de comentar no Facebook.

Bjos! ;)

Quem faz o Sr.Feltrim
Paula Maria Prado
Jornalista por profissão, escritora por paixão e arteira nas horas vagas...
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