'Mãos de Ouro' no SPFW (estilistas de destaque dos dias 24, 25 e 26 de abril)


Na parte de cima, um brinco todo estiloso da A-Brand e jaqueta bordada da Osklen; na parte abaixo, top trançado da Lollita e bolsa artesanal da Vix (foto: reprodução FFW).

Já aviso de antemão: não sou uma "conhecedora" de moda! Mas, como toda curiosa, gosto de fuçar aqui, fuçar ali... E foi nessa procura por informações interessante é que cheguei no São Paulo Fashion Week. Ok, você está se perguntando o que o evento tem a ver com trabalhos manuais. Respondo: tudo! Duvida? Vem, comigo! (sempre quis dizer isso! Hahaha!)

Se a grosso modo a SPFW, evento que rolou na semana passada na capital paulista e que apresenta desfiles de coleções inéditas de algumas das principais grifes do país, mais afundo podemos verificar o quanto muitos estilistas estão abraçados com o artesanato. São tricôs, bordados (belíssimos, aliás), recortes diferentes no tecido, ponto cruz, palhas.

Aliás, o tema deste ano foi "Mãos que valem ouro". É uma homenagem a capacidade que todo ser humano tem de repensar, reinventar e recomeçar. Paulo Borges, que é fundador do evento, defendeu logo no início do evento, que é preciso que o Brasil coloque a mão na massa, e que é necessário que a moda mostre os seus processos artesanais.

E os estilistas seguiram a risca a sugestão. Selecionei fotos de algumas das coleções --as que achei mais inspiradoras-- dos dias 25, 26 e 27 de abril. Veja só.

FH por Fause Haten

O estilista abriu o desfile da SPFW no domingo (25). Foram oito looks, masculinos e femininos da coleção que ele batizou de "Marlene", nome de uma peça de teatro que ele está escrevendo. Haten abusou de bordados com cristais (aliás, que trabalho!) e rendas. Fiquei encantada com tanto detalhe.

Amabilis Top 5

Os estilistas Luiz Carlos Guidoni e Robson Santos, da grife Amabilis, ganharam o concurso de novos estilistas feito pelo Sebrae, ou seja, são novatos na passarela. O interessante dessa coleção são as peças que feitas em malha e que imitam uma rede de pesca "fashion". Críticos acharam, aliás, que foi uma escorregada deles. Não gostaram. Mas não deixa de ser bem interessante esse trabalho.

Apartamento 03

A inspiração para o estilista Luiz Claudio Silva foi o mágico Harry Houdini. Ou seja, o que não faltaram na coleção foram peças com amarrações e algemas. Ele apostou ainda em brilhos. Algumas pedrinhas até pareciam pérolas, mas eram ladrilhos transparentes.

Ronaldo Fraga

O estilista abusou dos trabalhos manuais em sua coleção inspirada nos refugiados que têm deixado a Europa em alerta. Durante a sua pesquisa, Fraga descobriu que a única coisa que essas pessoas levam com elas nessa "fuga" de suas terras como parte de sua cultura são suas roupas, sempre muito coloridas e alegres e... com detalhes feitos à mão. Então, Fraga levou às passarelas bordados, tranças, apliques de flores. Para inspirar.

Ok, tem mais foto do Ronaldo Fraga. Esses apliques de flores são lindos demais! Confesso que não faço ideia que tecidos sejam esses, mas alguns imitam palha e outros me lembram sacos de estopa. Hahaha! (Quem souber o que é certinho, me fale!) Abaixo, um colar cheio de pedras que me parecem chatons e miçangas.

Paula Raia

Paula Raia é adepta do que se chama "Slow Fashion", moda sustentável, em que cada peça é feita de forma responsável, com calma, com os funcionários ganhando salários justos. Mas, como a indústria da moda tem se tornado mais imediatista, então, para dar conta dessa nova realidade, essa foi a primeira vez que as roupas da estilista passaram por processos fora de seu ateliê, como tingimento e bordado.

O tempo foi sua inspiração na hora de criar. Olha que interessante: ela coloca camadas de tecidos e bordados sobre a peça base criando desenhos. Para ajudá-la a produzir os looks, ela contou com a ajuda do artista plástico Mauricio Ianes. Achei lindo demais.

Adriana Dregreas

Inspirada na cultura da Indochina francesa (região que até os anos 1940 abrangia o Vietnã, Camboja e Laos), Adriana trouxe para a sua coleção um mix do glamour francês com o exotismo oriental. Detalhe para os babados em algumas peças aplicados manualmente na lycra.

PatBo

Ok, essa marca eu conheço e gosto. Rs! Sou apaixonada aliás, pelos vestidos que a Patrícia Bonaldi faz. É comum no trabalho da estilista o trabalho manual. Os bordados dessas jaquetas, por exemplo, levaram 30 dias para ficarem prontos. E ela ainda borda daquele jeito antigo: as estampas são desenhadas previamente com canetinha e depois ela vai colocando as pedrinhas/canutilhos/lantejoula uma a uma. O resultado é encantador. Ah, sua coleção é inspirada nas cores da bandeira, por isso há muito verde e amarelo.

Bom, é isso... Vou fazer um segundo post com os estilistas do dia 27, 28 e 29. Explico também porque acho que o novo modo de ver a indústria da moda pode interferir no trabalho de artistas que queiram usar manufatura em seu trabalho.

Gostaram? Não se esqueçam de comentar no Facebook.

Ah, todas as fotos são do site FFW (http://ffw.com.br), quem quiser ver mais imagens da coleção ou saber mais sobre cada uma delas, acesse.

Super beijo,

até mais!

;)

Quem faz o Sr.Feltrim
Paula Maria Prado
Jornalista por profissão, escritora por paixão e arteira nas horas vagas...
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