Nós, os criativos! (reportagem publicada originalmente no jornal OVALE)

Foto: reprodução da web 

 

Brasil  tem 8,5 milhões de artesão; conheça o novo perfil desses profissionais criativos

 

Paula Maria Prado
São José dos Campos

Cinquenta bilhões de reais. Esse é o valor que o artesanato, um dos setores que integra a chamada Economia Criativa, movimenta anualmente no Brasil. Os dados são do Portal EBC. Mais: os setores criativos respondem por 10% do PIB (Produto Interno Bruto) mundial. No Brasil, essa relação está entre 7% e 8% do PIB.

No momento de crise que estamos vivendo, o setor tem sido a saída de muitas famílias para obter renda em casa. Os últimos dados do IBGE, de 2009, davam conta de 8,5 milhões de artesãos no país. Mas há quem aposte que os números são ainda maiores.

"Infelizmente, são poucos os dados oficiais. Mas o mercado da economia informal cresceu muito nos últimos anos. Então, acredito que possa haver ainda mais pessoas vivendo hoje do artesanato", afirmou Rita Mazzotti, diretora da WR, realizadora da Mega Artesanal, principal evento de artesanato da América Latina. "O que temos observado é que, em muitas famílias, o marido desempregado passa a ver no trabalho ou hobby da esposa uma possibilidade de sustento. Então, ele passa a investir nela, monta seu site, cuida das finanças do casal e faz a entrega dos produtos. Vira um trabalho conjunto", explicou. 

Elas.  A valorização do trabalho artesanal pode ser considerado um dos "benefícios" da crise. "A falta de dinheiro te obriga a ser criativo até na hora de dar um presente. E hoje, é possível encontrar uma peça exclusiva, bem acabada e por um bom preço", disse Rita. 

O momento atual é delas. Cerca de 90% dos artesãos são mulheres, com idade acima de 30 anos, mas os homens têm ganhado espaço.  "Não há como classificar os trabalhos determinando por exemplo, que tipo de arte é mais produzida no país. Há uma mistura de técnicas em um mesmo produto. E isso é fruto de uma mudança também do artesão, que tem buscado cada vez mais aprender", afirmou Lucas Ferreira, gestor de marketing do Clube de Artesanato, que existe há 22 anos e tem o objetivo de valorizar esses profissionais. 

"De um lado temos acadêmicos com dificuldade de inserção no mercado. A curto prazo, ele precisa de uma renda, é aí que entra a Economia Criativa. De outro, há aquele cuja carreira já está consolidada, mas vê no artesanato uma opção de 'novos ares'", disse ele. "No entanto, acredito que essa 'saída' não seja uma situação temporária. É uma fonte real e possível de renda e veio para ficar mesmo depois da economia do país recuperada". 

Mudanças.  De olho em todas as mudanças no mercado, o Governo tem feito inúmeras campanhas para a formalização de pessoas que estão hoje na informalidade. 

Antes mesmo de sancionada a Lei do Artesão, em outubro de 2015, havia um chamamento para que todo artesão pudesse se tornar MEI (Micro Empreendedor Individual), com muitos dos benefícios que um trabalhador com carteira registrada tem, como aposentadoria e auxílio maternidade.

Também nessa "onda", o Governo do Estadode São Paulo lançou neste mês o primeiro edital de Economia Criativa, em que serão selecionados dez projetos e cujo prêmio é de R$21 mil. 

Além do artesanato, o edital contempla gastronomia, moda, artesanato, cultura digital e novas mídias.  "O artesanato tem um forte componente cultural e econômico, pois está associado a saberes específicos para confecção de novas obras, ao papel cada vez mais significativo do turismo cultural, a afetividade (ligação afetiva e de memória que o visitante de uma determinada cidade ou região leva de lá)", afirmou Aldo Valentim, coordenador da Unidade de Fomento e Economia Criativa da Secretaria da Cultura do Estado. "Do lado do artesão tem a técnica empregada, o uso do seu saber específico -- muitas vezes único-- para a produção de um bem simbólico que também tem valor econômico".

Inscrições até o dia 29.

 

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Governo lança edital de economia criativa para artesãos

 

Paula Maria Prado
São José dos Campos

Pela primeira vez, o Governo do Estado de São Paulo lançou um edital voltado a Economia Criativa. O foco é apoiar projetos que estimulem a capacitação dos artesãos na área de gestão, elaboração de projetos e economia criativa, capacitações para a realização de feiras e exposições, estudos e análises sobre o impacto do artesanato na economia das cidades e/ou regiões do Estado.

Os projetos podem apresentar várias possibilidades de contrapartida: palestras, publicações, estágios, etc.  "O que esperamos com esse edital é colaborar com os agentes ligados ao setor do artesanato para que possam cada vez mais estarem inseridos nesse contexto da economia criativa", afirmou Aldo Valentim, coordenador da Unidade de Fomento e Economia Criativa da Secretaria do Estado.

"A criatividade é o principal componente da economia criativa, impactando não só as áreas tradicionais do setor artístico e cultural, mas também outros setores econômicos que dependem cada vez mais do conhecimento para ganhar mercado", continua.  Para mais informações sobre o edital, acesse o site: www.estadodacultura.sp.gov.br.

 

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No papel: 

 

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É isso, espero que tenham gostado. 

Super beijo!

Até mais ;)

 

 

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Quem faz o Sr.Feltrim
Paula Maria Prado
Jornalista por profissão, escritora por paixão e arteira nas horas vagas...
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