Mudando o mundo com linha e agulha

 

Barradinhos com flores e frutas bordadas são só para brincar. Para a turma do projeto “Bordando na Praça” o assunto aqui é sério. Ao longo de um ano, cerca de 60 pessoas, mais do que fazer pontos bonitos e elaborados, se apropriaram do tecido como uma tela e mostraram por meio de sua arte como vêem São José dos Campos e o Vale do Paraíba.

 

A culinária caipira, as manifestações de fé e os campos dessa terra foram alguns dos assuntos desenvolvidos por elas. Como base, os desenhos da artista plástica Terezinha Bevilacqua, mas no desenvolver de cada peça, o céu era o limite. Cabia a cada uma imaginar livremente os detalhes que podiam ser criados para enriquecer o trabalho, com suas cores e texturas.

 

Voluntariamente, uma bordadeira ajudava a outra não só numa troca coletiva de conhecimento, mas também por um fim nobre: a produção de um livro com a história destes campos, cuja renda adquirida com a venda dos exemplares será doada a uma instituição de caridade à definir.

 

“Começamos esse trabalho em janeiro deste ano. Na ocasião, a bordadeira Rose Becker, inspirada em um projeto que acontece em Brusque, Santa Catarina, me convidou a participar da criação desse grupo. Então, entrei com meus desenhos e reunimos aquelas interessadas em participar”, afirmou Terezinha.

 

 O trabalho foi dividido em quatro partes. Na primeira, foram bordados os ipês, que simbolizam não só a chegada da primavera em São José, mas as famílias que moram na cidade. Em um segundo momento, com o tema “Os olhos são a janela da alma”, cada artesã pôde colocar na ponta dos dedos a sua maneira de ver e sentir esta terra.

 

“Foram 40 janelas. Falamos sobre ecologia, artesanato, o rio Paraíba e a Mantiqueira, entre outros temas”, disse a desenhista. “Já na terceira etapa, bordamos a fé do povo. Sob o mote ‘todos os caminhos levam ao Pai’, colocamos no tecido as diversas religiões, como católica, protestante, budista e umbandista, além das festas, tais como a de São João, Santo Antônio e São Pedro”.

 

Por fim, na quarta etapa, o que elas chamaram de “patrimônio saboroso”. “Fiz ao longo de dois meses uma pesquisa sobre a culinária do Vale do Paraíba. Então, transformei as receitas em desenhos”.

 

União. A experiência deu origem a cerca de 200 telas. Cem delas foram recentemente expostas no Cefe (Centro de Formação do Educador), em São José dos Campos.  “O desenho é meu, mas a criação é delas. E, quando elas se apropriaram dele, não havia aquela pressão de ‘eu tenho de terminar esse trabalho’. Elas pesquisavam pontos, cor da linha, formatos... Foi muito bacana”, disse Terezinha.

 

Entre as meninas, havia moradoras de São José em sua maioria, mas também de Jacareí, Caçapava, Taubaté, até Jaú, Curitiba e Brasília. Nem todas sabiam bordar, mas tiveram a boa vontade de aprender junto das mais experientes.

 

A mais idosa das mulheres era dona Benedita Valim que, ao 85 anos, é matriarca de uma família de bordadeiras. A mais nova é Carol Mantovani, 26. 

 

Agora as bordadeiras buscam patrocínio para finalizar a produção e lançar o livro. A ideia é transformar o mundo com linha e agulha, para isso, bordam não só com as mãos, mas com o coração.

 

(Reportagem publicada originalmente no jornal OVALE. Em 20 de dezembro de 2016).

 

 (Fotos: Divulgação)

 

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É isso... Espero que tenham gostado!

Super beijo, 

Até a próxima!

:)

 

 

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Quem faz o Sr.Feltrim
Paula Maria Prado
Jornalista por profissão, escritora por paixão e arteira nas horas vagas...
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