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© 2015 por Paula Maria Prado

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(São José dos Campos - SP)

 

Tel: 012-99144-0677

Exposição no Rio traz relíquias e cerâmica da Serra da Capivara

 

Trabalhos de 32 mestres ceramistas e obras pré-históricas raras do acervo do Museu do Homem Americano, no Piauí, nunca antes expostas,  estão na mostra "Serra da Capivara - Homem e Terra", inaugurada na última terça-feira (3) no Crab (Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro), no centro da capital fluminense. São peças produzidas há 3.400 anos e, por meio dela, o visitante tem a chance de traçar uma imagem comparativa entre a produção artística atual e a pré-histórica.

 

A mostra começa com a exposição de fragmentos e urnas com mais de 3.000 anos, faz uma homenagem ao trabalho de Niède Guidon - uma das primeiras arqueólogas a estudar e a defender o Parque Nacional Serra da Capivara, há mais de 40 anos -, insere o Museu do Homem Americano reproduzindo passarelas de madeira que aproximam o visitante de paredões com as inscrições rupestres, até chegar aos ceramistas atuais.

 

Assinada pelo designer Renato Imbroisi, a curadoria selecionou peças dos ceramistas da região com reprodução de pinturas rupestres em pratos, copos e travessas, e as mais novas, com a representação de animais de forma tridimensional e de madeira. Pela influência do sítio histórico no artesanato local, o curador trouxe também um pedaço do Museu do Homem para o CRAB.

 

"Decidimos mostrar a fauna e flora desse lugar de maneira completamente diferente. Colocar a cerâmica de maneira tridimensional”, explicou Imbroisi. “A cerâmica rupestre já se fez muito, continua viva, mas decidimos tentar algo novo”, completou.

 

Quase no fim da exposição, Niède aparece novamente em um vídeo ao lado de um dos artesãos mais habilidosos, Nivaldo Coelho de Oliveira. Na gravação, a pesquisadora destaca a beleza do trabalho desenvolvido e a preocupação ambiental. A argila é coletada na época da seca, evitando o impacto ambiental, já que os sedimentos são depositados novamente na estação de chuvas.

 

Ela conta ainda que o artesão foi um dos primeiros a levá-la aos sítios onde as descobertas arqueológicas foram feitas. "Conheço Nivaldo desde os anos 1970. Ele foi um dos meus primeiros guias. Quando a gente tinha de subir, ele subia com a gente”, contou. Para ela, a região é inspiradora. “A habilidade de todos esses artesãos se compara à qualidade da obra dos homens pré-históricos. Parece que a beleza da região traz a necessidade de se exprimir”.

 

A Serra da Capivara, no Piauí, tem a maior concentração de sítios arqueológicos das Américas, que comprovam a presença do homem no local há 48 mil anos. A descoberta ajudou a formular teorias sobre a passagem pelo Estreito de Bering, transformando o conjunto de chapadas e vales que abrigam gravuras rupestres e artefatos pré-históricos em patrimônio cultural da humanidade pela Unesco, agência das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura.

 

A exposição vai até o dia 20 de janeiro de 2018, de terça a sábado, das 10h às 17h. A entrada é gratuita.

Fotos: Thomas Souza/Agência Brasil

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Paula Maria Prado
Jornalista por profissão, escritora por paixão e arteira nas horas vagas...
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